sábado, 31 de março de 2012

Cermangue realiza Oficina de Educação Ambiental no Colun

 São Luís, 31 de março.
Por Paiva Silva




Na tarde de terça-feira, 27 de março, foi a vez do Colégio Universitário (Colun-UFMA) receber a caravana Cermangue. A apresentação (que fez parte da programação de aniversário do Centro) foi a convite da professora geógrafa, Rosalva de Jesus dos Reis.
Segundo a professora, a ideia de procurar o Cermangue surgiu depois que o seu projeto, “Ocupação dos Manguezais Ludovicenses”, foi aprovado pela Fapema (Fundação de Amparo a Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão). Rosalva disse que, a princípio sua intenção era apenas buscar referencial teórico para os seus alunos bolsistas, junto à professora Flávia Mochel, por ela ser da UFMA e já desenvolver, há muito tempo, trabalhos voltados para essa temática. Mas que ao falar com a pesquisadora, esta ficou muito empolgada em manter uma parceira com o Colun, e de imediato propôs uma oficina no colégio, que aconteceu durante toda a tarde do dia 29.
Como já é tradição, o grupo fisgou a atenção dos participantes, levando informações importantes, de forma lúdica, divertida e agradável. Abrindo a oficina, a exibição do Cine Socioambiental “Curta o Mar”, deixou todos os olhares atentos e curiosos. Em seguida, a palestra “Mudanças Climáticas Global com enfoque regional”, ministrada por Flávia Mochel, trouxe reflexões a respeito dos desastres ambientais, consequentes das ações humanas, focando sempre a realidade de São Luís. O Viveiro virtual, como sempre, fez o maior sucesso, e não houve quem não quisesse registrar sua participação, plantando sua muda. E por fim, o jogo da memória Cermangue colocou todo mundo para exercitar o cérebro numa competição para ver quem conseguia montar o quebra-cabeça primeiro. No final, todas as equipes levaram de brinde, um quite do jogo.
                            
E, finalizando os trabalhos, não poderia ter sido diferente: a equipe colocou todo mundo para mexer o esqueleto, ao som envolvente da dança do caranguejo. E assim, mais uma vez, o Cermangue fez o seu dever de casa, promovendo educação ambiental, de forma singular, o que já é característica marcante do centro.
A professora Rosalva disse ter ficado maravilhada com a oficina, e que deseja que esta parceria entre o Colun e o Cermangue se fortaleza ainda mais. “A oficina foi maravilhosa: os alunos puderam ter contato com informações que ainda não tinham, como por exemplo, o viveiro de mangue, algo que até mesmo para determinados profissionais, é uma novidade. Portanto, são informações que se somam, são experiências partilhadas, que fizeram, com certeza, com que todos os alunos saíssem instigados a buscar mais e a se questionarem de como poderiam se inserir nesse contexto. Acho superinteressante esta parceria e, gostaria muito de ter o Cermangue aqui novamente, pois além dos alunos do curso técnico e dos bolsistas, temos também todo o alunado que necessita também estar em contato com essa temática. E essa forma lúdica do centro fazer educação ambiental, torna-se muito interessante, pois atrai e envolve a moçada”, disse.
Veja as fotos da oficina na galeria de fotos.

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terça-feira, 27 de março de 2012

Estudantes homenageiam o Cermangue

video

               Em homenagem ao  aniversário de um ano do Centro de Recuperação de Manguezais, os graduados e graduandos  participantes do projeto, fizeram um vídeo, onde falam da experiência adquirida no centro e parabenizam a sua idealizadora e coordenadora, a professora Flávia Mochel.
           O vídeo foi exibido nesta segunda-feira, 26 de março, dia de fundação do projeto, durante a festa de comemoração, no  Departamento de Oceanografia e Limnologia da UFMA.

Cermangue homenageia o Professor Marco Valério



São Luís, 27 de março.

Marco Valério e Flávia Mochel
                       
Nas comemorações de aniversário de um ano do Centro de Recuperação de Manguezais, o Chefe do Departamento de Oceanografia e Limnologia da UFMA, Professor Marco Valério, foi homenageado com a placa do Centro, entregue pela sua Coordenadora, a professora Flávia Mochel.
Marco Valério, em entrevista concedida ao blog, falou da satisfação de ser o homenageado do Cermangue. “Fico muito feliz com a homenagem. Primeiro porque tenho uma admiração muito grande pelo entusiasmo da professora Flávia Mochel no campo da pesquisa. Nós entramos juntos na Universidade, e caminhamos juntos ao longo desses 20 anos, sempre buscando resolver os problemas do manguezal. E nessa busca, Flávia coordenou um dos primeiros grandes projetos dentro do departamento que, até então, era o departamento de biologia, o estudo ecológico dos manguezais parte I, na ilha de São Luís. E que resultou em diversos trabalhos, dentre esses, inclusive, a minha tese de Doutorado. Então, foi um presente que ela me deu. E, ser homenageado, ser reconhecido, e, para mim, isso nem deve ser visto como reconhecimento, pois acho que na condição de Chefe de departamento, tenho o dever de dar apoio àqueles que buscam realizar pesquisas, e que, sabemos, enfrentam muita dificuldade em conseguir recursos junto aos órgãos públicos. Mas Flávia é determinada e quando coloca algo na cabeça, persiste. E o Cermangue é isso, fruto de um casamento de sonhos e de muito esforço, dela com o seu grupo”, disse.
Na ocasião, o professor falou também do convênio firmado entre a Universidade e a Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), e da indicação do nome da Professora Flávia Mochel, pelo Departamento, para trabalhar no projeto que, segundo ele, trará grandes conquistas, não só ao Departamento de Oceanografia, mas para toda a Universidade.

“O nosso departamento participa de um convênio entre a UFMA e a Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), e dentro deste convênio, temos dez produtos a serem gerados até o final de 2013. Em uma conversa entre o Departamento e a EMAP, fui questionado se havia alguém capacitado para trabalhar nas etapas anteriores a uma supressão de vegetação. E, respondi que o departamento tinha uma das maiores especialistas de mangue do Brasil, a professora Flávia Mochel. Em seguida, demos andamento ao projeto, com a assinatura do contrato, que tem como uma das propostas, a criação de uma casa de vegetação e um viveiro permanentes”, afirmou.
Para Marco Valério, a aquisição da casa de vegetação e do viveiro, representa muito ao Departamento e ao curso de Oceanografia, não só em termos de status, mas também no fantástico campo de trabalho que se abre aos alunos, o que contribuirá, segundo ele, para a formação profissional destes.
 REDAÇÃO: Paiva Silva
 FOTO: Paiva Silva

quinta-feira, 15 de março de 2012

Coordenadora do Cermangue dá entrevista à Revista Veja


            A edição  da Revista Veja deste 14 de março, que trouxe como um dos destaques a matéria "Ameça ao Berçário", entrevistou a Coordenadora do Cermangue, Flávia Mochel_ Professora do Departamento de Oceanografia e Limnologia (DEOLI), da UFMA_  que falou dos impactos que a criação de camarões traz ao Manguezal.
            Segundo ela, "para aumentar a produtividade, os carcinicultores enchem os criadouros de pesticidas e antibióticos. Na época da coleta dos camarões, esse material é escoado sem filtragem para o manguezal. Os tanques têm vida útil de, no máximo, dez anos. Depois desse período, os criadores os abandonam e escavam novos tanques, destruindo outra área de manguezal".
  
Confira a matéria na íntegra.

        O novo Código Florestal pode agravar a depredação dos manguezais, ecossistemas que se estendem por dezesseis estados e são a base da biodiversidade no litoral. Foram escolhidas cinco regiões na costa brasileira, nos estados do Pará, Maranhão, Piauí, Paraíba, São Paulo e Paraná, onde serão feitas experiências de gestão e preservação dos recursos.

            Quando se fala em ecossistemas ameaçados pela ação humana no Brasil, logo vêm à mente a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica, que sofrem desmatamento acelerado, e o Pantanal ocupado de forma desordenada. Menos lembrados são os manguezais, embora eles tenham importância crucial para a manutenção da vida na costa brasileira. Os manguezais estão presentes em dezesseis estados que têm litoral - a única exceção é o Rio Grande do Sul.  O Brasil abriga a terceira maior área de manguezais do planeta, mas estima-se que um quarto da região de mangue original já tenha sido destruído, em parte para a instalação de salinas e de fazendas marinhas para a criação de camarões. Se o novo Código Florestal, que deve ser votado na Câmara dos Deputados nos próximos dias, for aprovado com o texto que já passou pelo Senado, a situação dos manguezais poderá se deteriorar ainda mais. Pelo código atual, os mangues são áreas de preservação ambiental, ou seja, não podem ser ocupados nem desmatados. O texto do novo código prevê o uso de 10% a 35% dos manguezais - dependendo do estado - justamente para a instalação de salinas e para a criação de camarões.
             Os manguezais são basicamente o ecossistema de transição entre o mar e o continente. Encontram-se apenas nas regiões mais quentes do globo, principalmente na faixa entre os dois trópicos. Para se desenvolverem plenamente, necessitam de muita irradiação solar, chuvas fartas e grande amplitude de marés Na costa dos estados do Amapá, Pará e Maranhão, os manguezais chegam até 40 quilômetros de largura e suas árvores alcançam mais de 40 metros de altura. O terreno lodoso característico desse bioma é formado por sedimentos de origem marinha e continental, restos de folhas, galhos e animais em decomposição. Isso toma o ambiente rico em matéria orgânica, o que atrai espécies de micro-organismos e animais que usam aquela região como fome de alimento e refúgio contra predadores.
             Ao longo de toda a costa brasileira, as pessoas que moram próximo ao manguezal dependem de sua riqueza para a subsistência. É comum a coleta de crustáceos e moluscos que vivem enterrados na lama para o comércio. "Cerca de 70% das espécies de peixes, moluscos e crustáceos que são pescadas comercialmente no litoral brasileiro têm relação com os manguezais em alguma fase de sua vida", diz a bióloga Yara Schaeffer Novelli, orientadora do programa de pós-graduação em oceanografia da Universidade de São Paulo. Os manguezais também servem de refúgio para aves migratórias. Os mangues do Maranhão e Pernambuco, e também os da região de Cubatão, no litoral paulista, recebem batuíras e maçaricos, aves típicas do norte do Canadá e Estados Unidos, que se recuperam ali após a longa viagem.
            A flora dos manguezais não apresenta grande variedade. Existem basicamente seis espécies de planta nesse ecossistema no litoral brasileiro. Suas raízes expostas servem como filtro dos sedimentos que correm misturados à água e também como fator atenuante de tempestades em áreas costeiras. Em Cubatão, as folhas e os troncos das árvores de mangue às vezes se cobrem de uma película oleosa, composta de resíduos da queima e refino de petróleo na região. Sem esse filtro natural, a poluição na área poderia ser ainda mais imensa, afetando diretamente as praias da Baixada Santista.
            Hoje, no Brasil, a faixa de manguezal mais ameaçada é a área conhecida como apicum, palavra de origem tupi que significa "brejo de água salgada". Os apicuns ocorrem geralmente nas regiões onde as marés têm dificuldade em avançar na costa por encontrar terras elevadas. A água que chega a essas terras se evapora rapidamente e o chão acumula tanto sal que nele sobrevive apenas a vegetação rasteira. A aparência desolada dos apicuns é enganosa. Seu solo abriga boa parte da reserva de nutrientes do manguezal. Ele também serve de abrigo para os caranguejos na fase final de seu desenvolvimento. E nos apicuns que se instalam as criações de camarão, principalmente no Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí. Escavam-se enormes tanques que acabam por mudar permanentemente as características da região. Diz a bióloga Flávia Mochel, do departamento de oceanografia e limnologia da Universidade Federal do Maranhão: "Para aumentarem a produtividade, os carcinicultores enchem os criadouros de pesticidas e antibióticos. Na época da coleta dos camarões, esse material é escoado sem filtragem para o manguezal. Os tanques têm vida útil de, no máximo, dez anos. Depois desse período. os criadores os abandonam e escavam novos tanques, destruindo outra área de manguezal".
            A deterioração dos manguezais brasileiros nas últimas décadas é também resultado da ausência de projetos, em escala nacional, que visem à sua preservação e ao uso sustentável. Durante muito tempo, os únicos trabalhos produzidos sobre o tema eram de cunho científico, com circulação limitada às universidades e com foco em regiões restritas. O primeiro mapeamento nacional dos manguezais foi feito apenas em 2008, pelo Ibama. Um projeto lançado há três anos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), batizado de Manguezais do Brasil, recebeu financiamento do Pnud, órgão das Nações Unidas que lida com questões ambientais. Foram escolhidas cinco regiões na costa brasileira, nos estados do Pará, Maranhão, Piauí, Paraíba, São Paulo e Paraná, onde serão feitas experiências de gestão e preservação dos recursos. O mapeamento do ecossistema também será atualizado, em parceria com o Ibama e o lNPE. Espera-se que a iniciativa ajude a preservar os berçários da vida do litoral brasileiro.
Revista Veja - quarta-feira, 14 de março 
Ameaça ao Berçário


segunda-feira, 12 de março de 2012

Mais de 60% das capitais brasileiras proíbem uso de sacolas plásticas em supermercados


Em pelo menos três capitais há projetos tramitando na Câmara Municipal sobre o assunto.
          Mais de 60% das capitais brasileiras – 17 das 27 capitais - aprovaram leis que proíbem ou que regulam o uso de sacolas plásticas em supermercados e outros estabelecimentos comerciais. Em pelo menos três capitais – Manaus, Fortaleza e Curitiba – há projetos tramitando na Câmara Municipal sobre o assunto. Entretanto, aprovar a lei não significa colocá-la em prática. Em diversas cidades há ações na Justiça para suspender a aplicação da norma.

            Em Recife, a Justiça considerou inconstitucional a lei que obriga o fornecimento, por parte dos comerciantes, de sacolas oxibiodegradáveis (que contém um aditivo que causa degradação mais rápida). O argumento é que o município não pode legislar sobre matéria de meio ambiente. Essa competência, segundo a Constituição, cabe à União, aos estados e ao Distrito Federal.
            O município de Recife recorreu da decisão. Se o pedido de recurso for acatado pelo Tribunal de Justiça local, a matéria seguirá para decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. Enquanto isso, a ação fica suspensa.
            Na maior cidade do país, São Paulo, a Justiça também considerou a lei inconstitucional. Entretanto, foi assinado um acordo com a Associação Paulista de Supermercados para que, até 3 de abril, os estabelecimentos forneçam caixas de papelão gratuitamente ou sacolas biodegradáveis por R$ 0,19 e ecobags por R$ 1,80. A partir de 4 de abril, os consumidores deverão transportar suas compras em sacolas próprias.
            O ideal, segundo o presidente do Instituto Sócioambiental dos Plásticos (Plastivida), Miguel Bahiense, é o uso racional das sacolas plásticas. Ele destacou que estudos mostram que sacolas plásticas têm melhor desempenho, inclusive no acondicionamento de lixo, do que outras embalagens.
            “Num aterro sanitário 0,2% é sacola plástica, 65% são material orgânico. A saída é ter incineração, reciclagem energética. Dizer que as sacolas abarrotam os aterros sanitários é uma mentira deslavada”, disse. “É preciso ter sacolas resistentes e que seu uso envolva preservação ambiental e uso consciente”, completou.

            Para a fundadora da Fundação Verde (Funverde), Ana Domingues, a solução é acabar com as sacolas plásticas e educar o consumidor a usar engradados ou sacolas retornáveis. Caixa de papelão, segundo ela, deve ser a última opção. “Já passou da hora de banir as sacolas. Não tem lógica usar um segundo pra fabricar um produto, usar por meia hora e demorar 500 anos para tirar do meio ambiente”, comentou.
            Abandonar a sacola plástica tem sido a decisão de muitos consumidores, mesmo antes de leis regularem o assunto. A dona de casa Maria do Carmo Santos, por exemplo, diz que as sacolas retornáveis oferecem maior resistência, durabilidade e segurança para as suas compras. “Eu já abandonei o uso das sacolinhas de plástico há muito tempo. Elas poluem demais e sujam nossa casa. Eu até faço coleção dessas sacolas ecológicas que são lindas, práticas e duram muito mais do que as de plástico”, disse.
            A dona de casa Graciana Maria de Jesus tem a mesma opinião. Para ela, as sacolas plásticas oferecidas no mercado não são de boa qualidade. “Essas sacolinhas de mercado não valem nada! Além de a gente passar raiva, porque rasgam com facilidade e nem para colocar no lixo servem. Comprei essa bolsa (ecobag) que dá para colocar mais produtos e para carregar é bem melhor”, disse.
(Agência Brasil)